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03
Mai21

filmes da minha vida

por mariana

Passei dias com vontade de ver A Star Is Born, que é um dos meus filmes favoritos. Ontem estive a vê-lo de tarde.

 

Quando estreou, em 2018, fui vê-lo ao cinema. Estava especialmente curiosa com a atuação da Lady Gaga - não desiludiu. No final os meus olhos encheram-se de lágrimas. Lembro-me de me ameaçar a mim mesma em pensamento: "ai de ti que chores aqui à frente de toda a gente!". Consegui não chorar e, forte, levantei-me da cadeira mal as luzes se acenderam. Só que quando as luzes acenderam vi que estava muita, muita gente mesmo a chorar... Uma gravidíssima com a barriga do tamanho de um planeta ao pé de mim agarrada ao seu homem enquanto ele lhe afagava o cabelo e dizia "calma, é só um filme" foi o gatilho para eu desatar aos prantos em pé na sala de cinema enquanto a senhora da limpeza apenas aguardava de braços cruzados que parassemos todos com aquela palhaçada. Pfff, sentimentos. Saí dali com o risco preto que tinha na linha de água e as duas camadas de máscara de pestanas totalmente esborratados pela cara abaixo.

 

Desta vez, sozinha no quarto, não foi diferente. Quando chegou aquela fatídica parte do filme os meus olhos encheram-se de lágrimas e curvei os lábios numa espécie de repulsa. Caramba! É apenas um filme! Mas uma pessoa é mais sensível do que mostra ser e lá desata a chorar como se fosse tudo real e acontecesse comigo. Por isso fiz o que todas as pessoas adultas e mentalmente saudáveis fazem: desliguei o cabrão do filme quinze minutos antes de acabar para não chorar mais, claro.

Mas vou rever. Este filme vou sempre querer rever.

 

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12
Abr21

inverno rigoroso

por mariana

Os dias cinzentos vão continuar. Estúpida fui eu, que só porque o sol se mostrou um pouquinho, acreditei que seria finalmente verão. Tantos anos nesta vida e ainda não percebi que nasci para viver rigorosos invernos.

Por aqui há tempestade o ano todo. É cansativo fisica e psicologicamente. Sinto-me esgotada. Cansada de ter medo... De tremer, literalmente, de medo. De pensar que é do frio, mas lá no fundo saber que não é. Cansada de poder pisar em falso e fazer explodir uma granada. Cansada de às vezes a comida não me descer. Cansada de viver trancada, escondida... Refugiada. Fujo de uma guerra que não é física, mas que ainda assim é uma guerra... Que não mata, mas destrói.

Destruição: conheço de perto. E sinceramente estou farta disso. Farta de caos, de estilhaços, de choro, de dor. Farta de tudo porque já aguento este tudo há mais tempo do que devia e do que tenho capacidade para aguentar. E porque, apesar de ter ganhado à força esta capa que me vai protegendo, queria poder ver-me livre dela... Ela é pesada e incomoda. Mas não posso. Aqui, para mim, será sempre um inverno rigoroso.

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08
Abr21

n. ♥

por mariana

Faz hoje um ano e três meses que iniciei. E iniciei sem qualquer pressão... Foi por escolha própria, com gosto. Foi complicado no início. Não sabia bem como reagir... Nunca tinha passado por uma situação destas. Era um assunto muito sensível para mim. Com força e determinação, fui conseguindo. Fomos, os dois. Ele ajudou-me. Ajudou-me sempre que se colocava de patinhas para cima para me receber em casa, ou sempre que abanava o rabinho, ou sempre que me dava uma lambidela na mão. Eu sentava-me no chão e ele vinha para o meu colo. Brincavamos. Ele adorava aquela brincadeira do "vou-te apanhaaar". Saía dali com as mãos e os braços todos arranhados... Com feridas das unhas e dos dentes. E isso começou a custar. Passaram meses. Eu estava cansada. Ele, pela sua história de vida, não é um cão fácil... E eu, pela minha, não sou uma pessoa boa. Estava um tanto farta, confesso. Deixei de me sentar no chão. Deixei de aceitar beijinhos. Deixei de lhe dar beijinhos. Deixei de tentar. E agora culpo-me muito.

Faz hoje um ano e três meses que iniciei e, também hoje, termino. Já disse que ele, pela sua história de vida, não é um cão fácil. E que eu, pela minha, não sou uma pessoa boa. Acontece que às vezes ele deixava de confiar... E rosnava, tentava morder. Chama-se trauma. Um dia, em setembro, tentou morder-me a sério e eu, apanhada de surpresa, tirei o braço por um triz. Foi quando eu deixei de confiar. E desde então que passei a ter receio dele e de outros cães. Nunca mais me aproximei de um cão na rua. Nunca mais me aproximei a sério dele. Foi um susto tão grande que ecoou por todo o meu interior físico e não. E o meu grito foi tão alto que me magoou os ouvidos. Como mesmo depois de sete meses eu não consigo, deixo de ir. Faz sentido que assim seja.

Não era isto que eu queria? Era, de certa forma. Mas agora que estou diante da situação, estou triste. Estou triste comigo mesma. Se havia alguém que tinha de ser racional, era eu. Engolir o susto e o medo... Aquilo que exigia dele. Mas não consegui.

 

N., és um cão maravilha e eu gosto tanto de ti. À minha maneira, é certo. E a minha maneira de gostar é torta, estranha... Eu sei disso. Não sei mostrar, mas gosto. E muito. ♥

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05
Abr21

para ficar registado

por mariana

Dizem que quando uma gaja muda o cabelo é porque está prestes a mudar a vida... Então e quando muda o blog?

Sou uma desnaturada que mete uma piadinha mesmo quando o assunto é sério (e triste). Humor ainda é uma das minhas defesas, mesmo com lágrimas na cara...

 

Na minha ingenuidade acho sempre que o meu blog se vai aguentar tempo suficiente para acompanhar as várias (desejadas) mudanças na minha vida, por isso costumo fazer um textinho de introdução. Desta vez não vou fazer. Ou melhor, vou, mas não da maneira habitual. No entanto, e porque sou teimosa, queria aqui registar este texto, em tom de desabafo, para que, se por um qualquer acaso este cantinho durar o tanto que eu gostava que ele durasse, eu o poder reler quando os dias forem mais coloridos.

 

Registo que os dias têm sido uma treta e que tendem a piorar. Só falta cair merda do céu (cuidado menina, que passas todos os dias por baixo de uma janela onde aproximadamente 63 pombos são alimentados ao mesmo tempo e teres uma camisola suja de cocó não seria uma estreia).

Registo que não tenho tido apetite nenhum... Que ontem comi um pão de manhã, uma perna de frango assado e meia dúzia de batatas fritas ao almoço e, à tarde, para ter qualquer coisa cá dentro, umas gomas de morango. Hoje, para não ser muito diferente, comi um pão de manhã e dei oito garfadas no que tinha no prato ao meio dia. Até digo mais: estou há duas horas contadas a comer o mesmo iogurte... Não desce. Apenas uma colher fez com que eu me sentisse enjoada.

Registo que voltei a ter insónias, que voltei a virar-me de um lado para o outro na cama. Já não me lembrava do peso que é chorar baixinho para ninguém ouvir até finalmente adormecer - sufoca, arde nos olhos e na garganta, arranha a alma até ela chorar também. E quem disser que a alma não chora, não percebe nada de dores.

 

Não sei o que esperar a partir daqui. Não sei mesmo. Cada minuto é uma incógnita e é frustrante viver assim, aterrorizada pelo medo, sem saber com o que contar, a sentir-me sozinha.

E por falar nisso de me sentir sozinha... Eu sei o que a casa gasta. Fui deixada aos leões e vivo constantemente escondida para não ser caçada. Mas às vezes lá sou. Acontece. Coisas da vida. Coisas da minha vida.

 

Acredito que vai passar. Apesar de eu ser uma pessoa assumidamente negativa (e de não ter motivos para ser positiva, desculpem lá namastês deste mundo), há sempre esta luzinha cá dentro que não apaga. Deve ser movida a ódio, a puta.

De qualquer das formas, estou motivada. Quero muito que os dias coloridos cheguem e sei que preciso de me esforçar para eles chegarem. Enquanto não chegam, vou desaba(fa)ndo por aqui.

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